Laodiceia

by davidraimundo

Leio a carta que escreveste para mim e confesso:
É de Laodiceia que eu parto,
Mas não quero ficar aqui.
Este ponto de partida não é o meu destino.
Caminharei.

Confesso a minha cegueira quase crónica,
Mas quero passar a ver.
Vendes-me desse remédio?
Porque eu quero ver para lá das estatísticas,
Para além de números mortos,
De informações ocas e preconceitos apressados,
De factos vazios e emoções descontroladas.
Quero o tal colírio eficaz que me mostra a realidade como ela é.
A cirurgia ocular que me dá a conhecer quem tu és e quem sou eu.

Confesso que não sou frio nem quente,
Mas quero provar da verdade que queima por dentro,
A verdade ontológica,
Servida em pão e vinho,
Servida em corpo e sangue,
Servida em mistério cruciforme.
A verdade que sabe a fogo que não se apaga,
Que tudo refina,
E que desfaz o louco que há em mim.

Confesso que é de Laodiceia que eu parto,
Mas, tenha eu ouvidos para ouvir,
Tenha eu coragem para me mover,
Caminharei.
Pois não quero ficar aqui.

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