Torre de Babel

by davidraimundo

Embarguemos de imediato a construção desta torre,
Não escalemos mais as suas paredes frias,
Não sejamos apressados para subir lá acima.

Desconfiemos deste percurso ascendente
Porque são traiçoeiros os degraus.
Construídos com o cimento frágil
Da (ir)racionalidade humana,
Construídos com as certezas falíveis
Das nossas lógicas de orgulho.

Desconfiemos deste percurso ascendente:
Talvez no topo desta torre,
Feita com a mais sistemática doutrina,
Não habite o Deus Vivo.
Talvez só lá more a arrogância…

Desconfiemos deste percurso ascendente:
Talvez esta torre seja um ídolo,
Um altar à razão humana
Em nome de uma ortodoxia que é mera vaidade.

Desconfiemos deste percurso ascendente e
Desejemos apenas a mais profunda doutrina
Que é Cristo em mim
Cristo em nós.

Desconfiemos deste percurso ascendente
Ao ponto de aceitarmos
A demolição!

Então
A torre de Babel
Feita em ruínas
A sistemática que (mal) a sustentava
Desfeita em pó e fumo

E nós sem torres
No chão da vida
Onde mora o Deus Vivo
A praticar a ortodoxia que interessa
A ortodoxia paradoxal  do amor.

(Poema escrito como reacção a estas declarações infelizes do John Piper.)

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