Teodiceia I

by davidraimundo

Introdução: Se não tens unhas, esta série de textos não é para ti!

“Deus meu, Deus meu, porque me abandonaste?”

Quando estava a ser crucificado, insultado, desprezado, Jesus, o carpinteiro de Nazaré que é também o Cristo, o enviado de Deus, solta esta interrogação em alta voz (cf. Mateus 27:46). O significado desta interrogação de aparente desespero por parte de Jesus é, para mim, um dos grandes mistérios do Evangelho. E creio que não sou o único que tem dificuldade em entender as causas e as implicações profundas deste grito do Jesus crucificado. Por exemplo, consta que, a propósito desta passagem, Martinho Lutero terá escrito: Deus a abandonar Deus?! Quem pode entender tal coisa?

De facto, não podemos entender.

Sei que há no mercado algumas tentativas de incorporar esta interrogação de Jesus nas teologias sistemáticas vigentes (e adiante podemos explorar algumas delas), mas, para mim, essas tentativas são incompletas e insatisfatórias. Entender este grito de Jesus é como tentar escalar uma montanha sem ter sequer os primeiros pontos de apoio para dar início à escalada.

É como tentar explorar os ricos minérios subterrâneos à custa de escavações feitas apenas com as próprias unhas.

A propósito: como estão as tuas unhas? Em forma? O cálcio está no ponto? Estão prontas para esgravatar?

Comecemos então esta série de textos com uma sessão de manicure metafórica!

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